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Por que é que o Terrorismo Acontece?

Por que é que o Terrorismo Acontece?

O Terrorismo Está no Seu Inconsciente
 
Osho,
São 40 anos desde a Segunda Guerra Mundial e esta "paz" parece estar agora ameaçada pelo terrorismo.
Gostaria de falar sobre porque o terrorismo está acontecendo agora?
 
"Tudo está profundamente relacionado com tudo mais que acontece. O evento do terrorismo é certamente relacionado com o que está acontecendo na sociedade. A sociedade está se desmoronando. A sua antiga ordem, disciplina, moralidade, religião, descobriu-se que tudo está baseado de forma errada. Perdeu o seu poder sobre a consciência das pessoas.
 
O terrorismo simplesmente simboliza que destruir seres humanos não importa, que não há nada nos seres humanos que é indestrutível, que é tudo matéria – e você não pode matar a matéria, você pode apenas alterar a sua forma. Uma vez que o homem seja considerado apenas uma combinação de matéria e nenhum lugar seja dado a um ser espiritual dentro dele, então matar torna-se apenas um jogo. 
 
As nações são irrelevantes por causa de armas nucleares. Se todo o mundo pode ser destruído em conjunto dentro de minutos, a alternativa só pode ser que todo o mundo deveria ficar junto. Agora ele não pode permanecer dividido; a sua divisão é perigosa, porque a divisão pode se transformar em guerra a qualquer momento. A divisão não pode ser tolerada. Apenas uma guerra é suficiente para destruir tudo e não sobra muito tempo para o homem entender que deveríamos criar um mundo onde a própria possibilidade de guerra não exista.
 
O terrorismo tem muitas subcorrentes. Uma é que por causa de armas nucleares, as nações estão derramando a sua energia nesse campo, pensando que armas antigas estão desatualizadas. Elas estão desatualizadas, mas os indivíduos podem começar a usá-las. E você não pode usar armas nucleares contra indivíduos – isso seria simplesmente estúpido. Um terrorista individual lança uma bomba – isso não justifica que um míssil nuclear deveria ser enviado.  
 
O que eu quero enfatizar é que a arma nuclear deu a pessoas individuais a liberdade de usar armas antigas, uma liberdade que não era possível nos velhos tempos porque os governos também estavam usando as mesmas armas. 
 
Agora os governos estão concentrados em destruir as armas antigas, jogando-as no oceano, vendendo-as para países que são pobres e que não podem pagar armas nucleares. E todos esses terroristas estão vindo desses países pobres, com as mesmas armas que foram vendidas aos seus países. E eles têm uma proteção estranha: você não pode usar armas nucleares contra eles, você não pode lançar bombas atômicas neles.  
 
Eles podem lançar bombas para você e de repente você está impotente. Você tem uma quantidade vasta de bombas atômicas, bombas nucleares em suas mãos – mas às vezes onde uma agulha é útil, uma espada pode não ter serventia alguma. Você pode ter a espada; isso não significa necessariamente que você está numa posição superior que o homem que tem uma agulha, porque há propósitos nos quais somente a agulha vai funcionar – a espada não terá serventia.
 
Essas pequenas armas dos velhos tempos estavam se amontoando e os grandes poderosos tinham de se desfazer delas – ou afundá-las no oceano... Isso significava tanto dinheiro, tanta mão-de-obra, tanta energia tinha sido desperdiçada; economicamente era um desastre. Mas simplesmente continuar a amontoá-las  também era economicamente impossível. Quantas armas é que você pode colecionar? Há um limite. E quando você encontra uma nova forma de matar pessoas com mais eficiência, então simplesmente tem que se livrar da antiga.
 
Era um pensamento que seria melhor vendê-las aos países pobres. Países pobres não podem criar armas nucleares – custa demasiado. E essas armas vinham baratas – como ajuda; eles aceitaram, mas essas armas não podem ser usadas numa guerra. Numa guerra essas armas já são inúteis. Mas ninguém viu a possibilidade dessas armas poderem ser usadas individualmente e um novo fenômeno – terrorismo – surgiu disso.
 
Agora um terrorista tem um poder estranho, mesmo sobre os mais poderosos. Ele pode lançar bombas para a Casa Branca sem medo algum, porque o que você tem é demasiado grande e você não pode lançar para ele. E essas são as armas vendidas por você! Mas o fenômeno não foi concebido, porque a psicologia humana não é entendida.
 
O meu entendimento é que pelo modo como tem vivido, o homem precisa, a cada dez a doze anos, de – uma guerra. Ele acumula tanta raiva, tanta fúria, tanta violência que nada menos que uma guerra lhe dará um alívio. Portanto, guerra após guerra, há uma lacuna de apenas dez a quinze anos. Essa lacuna é um tipo de relaxamento. Mas de novo você começa a acumular, porque a mesma psicologia está trabalhando – os mesmos ciúmes, a mesma violência.  
 
O homem é basicamente um caçador; ele não é vegetariano de natureza. Primeiro ele se tornou um caçador e por milhares de anos ele era apenas um carnívoro, e o canibalismo era prevalente em todo o lugar. Comer seres humanos capturados da tribo oponente com os quais você estava lutando era perfeitamente ético. Tudo isso é carregado no inconsciente da humanidade.  
 
As religiões impuseram coisas nos homens de um modo muito superficial; o seu inconsciente não está de acordo. Todo o homem está vivendo em desacordo com ele mesmo. Então sempre que ele pode encontrar uma chance – por uma bela causa; liberdade, democracia, socialismo – qualquer palavra bonita pode se tornar uma proteção para esconder a sua inconsciência feia, que simplesmente quer destruir e gosta de destruição.
 
Agora a guerra mundial se tornou quase impossível; de outro modo não haveria terrorismo. Já se passou tempo suficiente desde a segunda guerra mundial, a terceira guerra mundial deveria ter acontecido por volta de 1960. Não aconteceu. Esta tem sido a rotina por toda a história, e o homem está programado para isso.
 
Tem sido observado pelos psicólogos que em tempos de guerra as pessoas estão mais felizes que em tempos de paz. Em tempos de guerra a sua vida tem uma excitação; em tempos de paz elas parecem aborrecidas. Em tempos de guerra, de manhã bem cedo, elas ficam procurando o jornal, escutando o rádio. As coisas podem estar acontecendo muito longe, mas elas estão animadas. Alguma coisa nelas sente uma afinidade. 
 
Uma guerra que deveria ter acontecido entre 1955 e 1960 não aconteceu, e o homem está carregado com o desejo de matar, com o desejo de destruir.  Só que ele quer nomes bons para tal. 
 
O terrorismo vai se tornar cada vez maior, porque a terceira guerra mundial é quase impossível. E os políticos estúpidos não têm outra alternativa. O terrorismo simplesmente significa que o que estava sendo feito  numa escala social agora te de ser feito individualmente. Ele crescerá. 
 
Só pode ser impedido se mudarmos a própria base do entendimento humano – que é uma tarefa “Himalayana”; ainda mais porque essas mesmas pessoas, que você quer mudar, vão lutar contra você; elas não permitirão que você as mude facilmente.
 
Na verdade, elas adoram o derrame de sangue; elas não têm a coragem de dizer isso. Num dos romances existencialistas, há um incidente belo que pode quase se dizer que é verdadeiro.
 
Quando você está faminto, você pensa em arranjar trabalho, comida; você não tem tempo de pensar sobre a vida e a morte. Você não tem tempo para pensar sobre qual é o significado da existência. É impossível: um homem faminto não pode pensar em beleza, arte, música. Pegue no homem faminto, morrendo de fome a um museu repleto de belas obras de arte – você pensa que ele será capaz de ver alguma beleza lá? A sua fome o impedirá. Esses são luxos. Somente quando todas as suas necessidades básicas são realizadas, é que o homem enfrenta os verdadeiros problemas da vida. Os países pobres não conhecem os verdadeiros problemas.
 
Um homem é apresentado ao tribunal porque matou um estranho que estava sentado na praia. Ele nunca tinha visto esse estranho. Ele não o matou por dinheiro. Ele ainda não sabe qual era a aparência desse homem, porque ele matou-o pelas costas, simplesmente com uma faca grande. Eles nunca tinham se encontrado – não havia questão de inimizade. Eles não eram conhecidos, não tinham visto as caras um do outro.
 
O magistrado não conseguia perceber e perguntou ao assassino, "Por que você fez isso?"
 
Ele disse, "Quando eu apunhalei aquele homem com uma faca e uma fonte de sangue jorrou das suas costas, foi um dos momentos mais bonitos que eu alguma vez conheci. Eu sei que o preço será a minha morte, mas estou pronto a pagar por ele; valeu a pena. A minha vida inteira vivi no tédio – sem entusiasmo, sem aventura. Finalmente eu decidi fazer algo. E este ato tornou-se mundialmente famoso; a minha foto está em todos os jornais. E estou perfeitamente feliz de o ter feito."
 
Não houve necessidade de nenhuma evidência. O homem não estava negando – pelo contrário estava se glorificando. Mas o tribunal tem o seu modo rotineiro – testemunhas ainda têm de ser produzidas; apenas a sua palavra não pode ser aceita. Ele pode ter estado a mentir, ele pode não ter matado o homem. Ninguém o viu – não havia nenhuma testemunha ocular – então evidência circunstancial teve de ser apresentada à polícia.
Uma delas era a possibilidade deste homem ter agido de acordo com a sua vida passada e os seus antecedentes. Quando ele era jovem, a sua mãe morreu. E quando ele ouviu que a sua mãe tinha morrido, ele disse, "Merda! Aquela mulher não me deixa nem enquanto está morrendo! É domingo, e eu reservei bilhetes para o teatro com a minha namorada. Mas eu sabia que ela faria algo para destruir o meu dia inteiro – e ela o destruiu."  
 
A sua mãe morreu e ele está dizendo que ela destruiu o seu domingo! Ele estava indo ao teatro com a sua namorada, e agora ele tem de ir ao funeral. E as pessoas que ouviram a sua reação ficaram chocadas. Elas disseram, “Isso não é certo, o que você está dizendo?"
 
Ele disse, "O quê? O que é certo e o que é errado? Ela não podia morrer num outro dia? Há sete dias na semana – de segunda-feira a sábado, ela podia ter morrido em qualquer dia. Mas vocês não conhecem a minha mãe – eu conheço-a. Ela é uma cabra! Ela fez isso de propósito."  
 
A segunda evidência é que ele participou no funeral e à noite foi encontrado dançando com a sua namorada numa discoteca. E alguém perguntou, “O quê! O que é que você está fazendo? A sua mãe acaba de morrer."  
 
Ele disse, "E daí? Você quer dizer que eu não posso dançar de novo? A minha mãe nunca vai estar viva, ela permanecerá morta; então o que importa se eu danço depois de seis horas, oito horas, oito meses, oito anos? O que importa? – ela está morta. E eu tenho que dançar, e eu tenho que viver e tenho que amar, apesar da sua morte. Se todo o mundo deixasse de viver com a morte da sua mãe, com a morte do seu pai, então não haveria dança no mundo, não haveria canção no mundo."  
 
Reporta-se que Sigmund Freud disse, "Eu nunca me cruzei com um homem que não pensou, pelo menos uma vez na vida, em cometer suicídio." Mas agora Sigmund Freud é demasiado velho, desatualizado. Ele estava falando sobre pessoas psicologicamente doentes; aquelas eram as pessoas com quem ele mantinha contato.
 
A sua lógica é muito certa. Ele está dizendo, “Onde é que você desenha a linha de demarcação? Depois de quantas horas é que posso dançar? – doze horas, catorze horas, seis semanas? Onde é que você desenhará a linha? Com que bases? Qual é o critério? Então não importa. Uma coisa é certa: sempre que eu dançar, estarei dançando depois da morte da minha mãe, então decidi dançar hoje. Por que esperar por amanhã?" 
 
Tais evidências circunstanciais são apresentadas ao tribunal – que esse homem é estranho. Que ele pode fazer tal ato. Mas se você olhar para este homem mais de perto, você não sentirá raiva dele; você se sentirá compassivo. Ora, não é a sua culpa que a sua mãe morreu; e em todo o caso, ele tem que dançar algum dia, então não faz diferença. Você não pode culpar este homem por dizer coisas feias: “Ela morreu deliberadamente no domingo para estragar a minha alegria," porque toda a sua experiência de vida deve ter sido que ela estava sempre estragando qualquer possibilidade de alegria. Essa foi a última conclusão: “Mesmo na morte ela não me deixa em paz."  
 
E você não pode condenar o homem por matar um estranho... porque ele não é um ladrão; ele não levou nada dele. Ele não é um inimigo; ele nem sequer viu o homem que ele estava matando. Ele estava simplesmente entediado com a vida e queria fazer algo que o fizesse sentir significativo, importante. Ele está feliz que todos os jornais têm a sua foto. Se eles tivessem publicado a sua foto antes, ele não teria matado; mas eles esperaram – até que ele mate, eles não publicarão a sua foto. E ele queria ser uma celebridade... simples desejos humanos. E ele estava pronto a pagar com a sua vida para se tornar conhecido pelo mundo inteiro, reconhecido por todo o mundo pelo menos por um dia.
 
Até que nós mudemos os fundamentos básicos da humanidade, o terrorismo vai se tornar cada vez mais um assunto normal, do quotidiano. Acontecerá nos aviões, acontecerá nos ônibus. Começará a acontecer nos carros. Começará a acontecer com estranhos. Alguém virá de repente e atirará em você – não porque você fez alguma coisa para ele, mas apenas, o caçador está de volta. 
 
O caçador estava satisfeito na guerra. Agora a guerra parou e talvez não haja possibilidades para ela. O caçador está de volta; agora não conseguimos lutar coletivamente. Cada indivíduo tem que fazer algo para libertar o seu vigor. 
 
As coisas estão interligadas. A primeira coisa que deve ser mudada é que o homem deveria ser feito mais alegre – o que todas as religiões mataram. 
Os verdadeiros criminosos não são apanhados. Essas são as vítimas, os terroristas e os outros criminosos. Todas as religiões é que são os verdadeiros criminosos, porque elas destruíram todas as possibilidades de alegrar-se. Elas destruíram a possibilidade de desfrutar das pequenas coisas da vida; elas condenaram tudo que a natureza lhe providencia para fazê-lo feliz, para fazê-lo sentir-se entusiasmado, sentir-se agradável. 
 
Elas tiraram tudo; e se elas não conseguiram tirar algumas coisas porque elas estão tão enraizadas na sua biologia – como o sexo – elas conseguiram pelo menos envenená-las.
O mesmo é a situação com outras coisas: as religiões estão condenando a sua vida no conforto. Agora, um homem que está vivendo no conforto e no luxo não pode se tornar um terrorista. As religiões condenaram as riquezas, louvaram a pobreza; ora, um homem que é rico não pode ser um terrorista. Somente os “abençoados” que são pobres podem ser terroristas – porque eles não têm nada a perder, e estão fervendo contra toda a sociedade porque os outros têm coisas que eles não têm. As religiões têm estado a consolá-los. 
 
Mas depois o comunismo surgiu – uma religião materialista – que provocou as pessoas e disse-lhes, “As suas religiões antigas são todas ópio para as pessoas, e não é por causa das suas ações maldosas nesta vida ou em vidas passadas que vocês estão sofrendo a pobreza. É por causa da exploração maldosa dos burgueses, os super-ricos que você estão sofrendo."  
 
A última frase no Manifesto Comunista de Karl Marx é: Proletariado de todo o mundo uni-vos; vocês não têm nada a perder e têm todo o mundo por ganhar. “Vocês já são pobres, esfomeados, nus – então o que é podem perder? A sua morte não os fará mais miseráveis do que a sua vida está fazendo. Então por que não tomam uma chance e destroem essas pessoas que levaram tudo de vocês. E levem essas coisas de volta, distribuam-nas."
 
O que as religiões têm de algum modo usado para consolar as pessoas – embora fosse errado e fosse enganoso e fosse uma mentira, isso manteve as pessoas num estado meio adormecido – o comunismo de repente tornou-as cientes disso. 
 
Isso significa agora que este mundo nunca vai ser pacífico se não retirarmos todas as idéias podres que implantamos no homem. 
 
O primeiro são as religiões – os seus valores devem ser removidos para que o homem possa sorrir novamente, possa rir novamente, possa deleitar-se novamente, possa ser natural novamente. 
 
Segundo, o que o comunismo está dizendo deve ser colocado claramente perante as pessoas – que é psicologicamente errado. Você está caindo de uma armadilha para a outra. Não há dois homens iguais; daí que a idéia de igualdade é uma besteira. E se você decidir ser igual, então você tem que aceitar a ditadura do proletariado. Isso significa que você tem de perder a sua liberdade.
 
Primeiro a igreja tirou a sua liberdade, deus tirou a sua liberdade. Agora o comunismo substitui a sua igreja e tirará a sua liberdade. E sem liberdade, você não pode se alegrar. Você vive no medo, não na alegria. Se limparmos a cave da mente inconsciente humana... e é aí onde está o meu trabalho. Pode ser limpa. 
 
O terrorismo não está nas bombas, em suas mãos; o terrorismo está no seu inconsciente.
De outro modo, esse estado das coisas vai se tornar mais amargo. E parece que todos os tipos de pessoas cegas têm bombas em suas mãos e estão lançando-as ao acaso.
 
A terceira guerra mundial teria libertado as pessoas por dez ou quinze anos. Mas a terceira guerra mundial não pode acontecer, porque se acontecer ela não aliviará as pessoas, ela apenas destruirá as pessoas.
 
Então a violência individual crescerá – está crescendo. E todos os governos e todas as suas religiões continuarão perpetuando as velhas estratégias sem compreender as novas situações. 
 
A nova situação é que todo o ser humano precisa passar por terapias, precisa entender as intenções do seu inconsciente, precisa passar por meditações para que possa se acalmar, tornar-se fresco – e olhar para o mundo com uma nova perspectiva de silêncio." 
 
Osho, Beyond Psychology, Capítulo #18
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