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Vida, Amor, Riso

O pai da filosaofia moderna ocidental, Descartes, começou com a dúvida; ele duvidou de tudo, porque ele estava em busca de algo que não pudesse ser duvidado. Só isto pode tornar-se a base de uma vida real, de uma vida autêntica – aquilo que não pode ser duvidado. Aquilo que tem de se acreditar, não pode se tornar o verdadeiro alicerce. Este alicerce está afundando, e você construindo uma casa nas areias. Assim, ele duvidou de tudo. Pode-se duvidar dos deuses facilmente; pode-se duvidar do mundo – pode ser só um sonho; dos outros... Ele duvidou de tudo. Então, de repente, ele tomou consciência de que, dele mesmo, ele não podia duvidar. Isso é contraditório. Se você disser que você duvida de si, isso quer dizer que você acredita que você existe para, então, poder duvidar. Você pode dizer que você pode ser enganado por si mesmo, mas há alguém que precisa estar ali para ser enganado. Não se pode duvidar do eu.

Assim, Mahavira não acreditava em Deus; ele acreditava apenas no eu, porque essa é única certeza. Você não pode crescer a partir da incerteza. Quando há certeza, há confiança; quando há incerteza, pode haver crença, mas a crença está sempre escondendo a dúvida.

Muitas pessoas que são teístas, vêm a mim. Elas acreditam em Deus, mas a crença delas é superficial. Cutuque-as um pouco, instigue-as um pouco, sacuda-as um pouco – elas ficam cheias de dúvida e ficam com medo. Que tipo de religião é possível se você tem tanta dúvida? Algo indubitável é necessário.

Mahavira e Buda, ambos, enfatizavam a meditação. Eles aboliram a oração. Eles disseram: Como você pode orar? Você não conhece o divino; então, você não pode realmente acreditar... Você pode forçar-se uma crença , mas uma crença forçada é uma falsa crença. E você pode argumentar e se convencer, mas isso não ajudará, porque seus argumentos, suas convicções, são sempre seus; e a mente continua oscilando.

Assim, Buda e Mahavira, ambos enfatizaram a meditação. Meditação é uma técnica completamente diferente. Não há nenhuma necessidade de se acreditar, nenhuma necessidade de se mover em direção ao outro; você está sozinho. Mas você tem de se acordar: é isso que o monge está fazendo. Ele não está chamando o nome de Ram, ele não está chamando o nome de Alá, ele está chamando seu próprio nome, porque nada, além disso, é certo. Ele chama seu nome todo e “você está aí?”. E ele não espera pela resposta de nenhum deus. Ele mesmo responde: “Sim, eu estou aqui”.

Esta é a atitude budista – que você está sozinho. Se você está dormindo, você tem de chamar a si mesmo, você tem de responder. É um monólogo. Não espere que um deus lhe responda; não há ninguém para lhe responder. Suas perguntas ficarão perdidas no céu vazio, suas preces não serão ouvidas – não há ninguém para ouvi-las. Assim, este monge parece tolo, mas, na verdade, todos aqueles que estão orando podem ser mais tolos que esse monge. Este monge está fazendo uma coisa mais certa, chamando a si mesmo e respondendo a si mesmo.

Você pode criar seu estado de alerta. Eu lhe digo: seu nome é o mantra. Não chame Deus, não chame Alá, chame seu próprio nome. Muitas vezes por dia, sempre que você sentir que está caindo no sono, sempre que você sentir que o jogo está tomando conta e você está se perdendo nele, chame a si mesmo: “Você está aí?”. E responda você mesmo. Não espere pela resposta de ninguém; não há ninguém para lhe responder. Responda: “Sim, eu estou aqui”. E não responda verbalmente, sinta a resposta: “Eu estou aqui”. E esteja ali, alerta. Nesse estado de alerta os pensamentos param; nesse estado de alerta a mente desaparece, mesmo que por um momento. E quando a mente não está presente, há meditação; quando a mente pára, a meditação acontece.

Lembre-se, meditação não é algo que é feito pela mente, é a ausência da mente. Quando a mente pára, a meditação acontece. Não é algo que surje da mente, é algo além da mente. E sempre que você está alerta, a mente não está presente. Dessa forma, podemos concluir que seu sono é sua mente, sua inconsciência é sua mente, seu sonambulismo é sua mente. Você se move como se estivesse embriagado, sem saber quem você é, sem saber aonde você está indo, sem saber por que você está indo.